terça-feira, 13 de setembro de 2011

| acontecimentos que me definiram #1

tenho presente na minha memória como se tratasse de uma fotografia exposta. a minha mãe, a mulher de armas que criou quatros filhos sozinha ia deitada no chão da carrinha completamente desarmada e sem forças. a minha irmã pedia-me ajuda para colcar um cobertor a protegê-la.
a minha mãe não falava, eu com o entendimento de uma criança de 12 anos percebia que a situação era grave.
horas depois, já no hospital diziam que a minha mãe estava em esgotamento profundo. todos nós sabiamos o que despoletou isso; todos menos eu que só mais tarde percebi que fora o comportamento do meu irmão e da sua (na altura) companheira.
a minha vida mudou nesse dia, passei a ir vender flores na vez da minha mãe. ia sempre uma senhora comigo para não ficar sozinha. levanta-me as 7am e chegava a casa as 6pm. os dias passavam e a minha mãe não reagia. os dias dela eram passados na cama, no quarto mais escuro possivel. Caía imensas vezes e um dia, talvez o dia que mais me assustou foi quando ela queria deitar uma parede abaixo (uma parede que dava para o exterior) porque dizia que existia um quarto secreto ali, todo sujo e que as vizinhas gozavam por ela não limpar. Impedi-a de fazer tal asneira, mas ela achou que lhe estava a faltar ao respeito e bateu-me. A partir desse dia os meus sentimentos pelo meu irmão tornaram-se confusos. E fiquei feliz por ele já não fazer parte da nossa vida, afinal fora a escolha dele.
Cresci, aos 12 anos aprendi a fazer comida básica. A cuidar da casa e a ajudar a minha irmã  a gerir o negócio da familía.
iamos comprar as flores, descarregavamos a carrinha, cortavamos os pés das flores e colocavamos na água, à quarta a rotina a seguir à escola era sempre a mesma. Deitava-me tarde e tirei a primeira negativa e chorava, não queria ser má aluna. Recuperei e nunca ninguém soube na escola o que passava no meu seio familiar.
passaram 12 anos, a minha mãe recuperou mas nunca mais voltou a ser a mesma mulher, o meu irmão divorciou-se, e voltou para a minha mãe em nada ele mudou, ou mudou na idade. Antes ele tinha 22 anos, hoje tem 34 e não tem mais nada. Nem paz ele tem.
já teve melhores dias a nossa relação, hoje estamos afastados porque achei que era altura de deixar de sofrer as consequências das continuas más escolhas dele.
no meio disto tudo tive a certeza e tenho de que a minha irmã, sempre discreta é uma mulher mais forte do que imagina.

2 comentários:

Chicolaiev disse...

PS: Devias tornar a letra mais escura, ou o fundo mais claro (branco)... é necessario fazer um pouco de esforço para ler porque há pouco contraste...

NaRiZiNhO disse...

Estranho o meu fundo é branco :S
e as letras estão no cinza que antecede o preto :S