sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

| acontecimentos que me definiram #4

viver um amor sem final feliz

quer dizer na altura achei que era o pior cenário possível.

Ainda hoje me lembro da primeira vez que o vi, do click do primeiro olhar.
Falou me timidamente, e usou o facto de eu sor do Porto para iniciar a conversa (conhecemo-nos em Lisboa)
Esse foi um fim de semana incrível que passou num ápice. Foram levar-me ao expresso, ele fez questão de ir. Quando nos despedimos perguntou se nos voltaríamos a ver, sorri e respondi um não sei.
Fiz a viagem para o Porto a relembrar todo o fim de semana. No dia a seguir tinha um pedido de amizade no Hi5 e uma mensagem com o numero dele. Fiz a minha normal nesse dia, faculdade, café com amigos, casa, uma passagem pela biblioteca da Feup e casa. Em casa sim mandei uma mensagem e em resposta ele liga.
Seguiram-se umas semanas até nos voltarmos a ver, ele apareceu no Porto de surpresa. A companhia foi óptima mas eu não me queria apaixonar (avisava sempre para não se apaixonarem por mim, amava demais a minha liberdade para ter um alguém).
Exactamente quando fez 4 meses que nos conhecemos coincidiu com uma exposição no CCB, mais uma vez rumei a Lisboa. E foi nessa vez que nos envolvemos. O fim de semana voou e eu regressei ao Porto com borboletas na barriga, mas com a certeza de que não me queria apaixonar.
De 15 em 15 dias estávamos juntos, ora em Lisboa, ora no Porto, até que começaram as constantes viagens a Barcelona. Ele não gostava, ele tinha-se apaixonado... quando surgiu a oportunidade de ficar em Barcelona rebentou a bolha (e ai foi para mim o fim, o restante tempo foi o ultrapassar do fim). Eu estava apaixonada, ele estava apaixonado mas não ficamos juntos. Deixamos de nos contactar.
Quando regressei a Portugal, ingressei no mestrado, era ano de experimenta design e lá rumamos uns quantos em direcção a Lisboa. Destino assim quis que nos cruzássemos, minutos que pareceram horas em que apenas nos olhamos.
Uma mensagem hoje, outra mensagem amanhã, uma chamada, mais um encontro... e voltamos (ai achava que era "O" amor). não demorou a ele iludir-se com uma miúda e me deixar. Chorei e achei que o mundo tinha acabado, recusava-me a voltar  a apaixonar-me. Tudo mentira não tardava em pleno Verão, em pleno festival marés vivas, exactamente quando Jason Mraz cantava "i'm yours" recebo uma mensagem dele, onde manifestava saudades. Escusado será dizer que voltamos, e não tardei a receber a proposta para trabalhar em Lisboa. Achamos que iriamos finalmente ter uma relação"normal", tudo ilusões... três meses depois, acabados de chegar de Londres cada uma para o seu lado. Dessa vez estava decidida a nunca mais voltar, a ser o fim. Mentira. Voltamos, e ele termina comigo uns dias depois do meu aniversário para andar com uma miúda de 18 anos, a actual namorada. Não tardou a receber mensagens dele a quer voltar, a mostrar-se arrependido mas dessa vez eu estava decidida a avançar na vida. Apaguei o numero e apaguei-o do facebook, chorei durante dois dias, fui ao cabeleireiro e iniciei uma vida nova.
O tempo passou e como ele não tinha forma de ter contacto comigo mandou-me um longo e extenso email, recentemente até; onde manifestava o seu arrependimento, os seus erros e o quanto gostava de estar a viver tudo o que esta a viver com a miuda (que na altura tinha 18 anos), comigo. Se eu tremi? sim tremi e o meu coração gelou mas ignorei o email.
Hoje já sou capaz de lhe falar, hoje já ultrapassei a fase do ódio, do sofrimento e do coração despedaçado de quem amou e em troca recebeu traições, mentiras e dor. Hoje quero que ele seja muito feliz, desejo-lhe um futuro lindo.
sei que não é má pessoa,tem uma personalidade vulnerável isso sim.
este amor não teve um final feliz, aliás demorou dois anos a terminar; mas é sem dúvida um amor que quero contar ao meus netos.
como esta relação me definiu? mostrou-me que até no maior desgosto há algo bom, e eu conheci a minha capacidade de perdoar e de seguir com um coração bem leve.

e hoje ele faz anos, ele e a minha querida amiga Brigantina - a C.
e tantas saudades que tenho dela


P.S.  :Meu querido P., a ti também te devo um grande obrigado, sem dúvida que chegar a casa  e ter a tua companhia, a tua partilha, as coisas que me ensinavas , tudo isso contribuiu para o meu coração voltar a bater.

3 comentários:

S* disse...

Isso é tão feio... não entendo porque raio criam ilusões!

Eu Mesma! disse...

Li o teu texto e recordei uma historia minha antiga...

não tão dolorosa talvez como a tua mas... igualmente dolorosa e cheia de ilusões...

texto muito bem escrito...

NaRiZiNhO disse...

S*
Acho que ele mesmo vivia iludido

Eu mesma!
A história contada parece bem mais dolorosa do que realmente foi. É certo que olhando para tras foram mais os maus momentos que os bons, mas mesmo assim recordo com muito carinho e tenho um carinho grande por ele.
Afinal actualmente, eu estou feliz com a pessoa que escolhi para partilhar a minha e ele... ele agora vive a recordar o que vivemos.

beijinhosss :)